Confúcio

Seu Nascimento e Juventude

Confúcio, também conhecido como K’ung Ch’iu (Mestre Kong), nasceu em meados do século VI (551 a.C.), em Tsou, uma pequena cidade no estado de Lu, hoje Shantung. Este estado é denominado “Terra Santa” pelos chineses.

Confúcio estava longe de se originar de uma família abastada, embora seja dito que ele tinha descendência aristocrática. Seu pai, Shu-Liang Hê, antes magistrado e guerreiro de certa fama, tinha setenta anos quando se casou com a mãe de Confúcio, uma jovem de quinze anos chamada Yen Chêng Tsai, que diziam ser descendente de Po Ch’in, o filho mais velho do Duque de Chou, cujo sobrenome era Chi.

Dos onze filhos, Confúcio era o mais novo. Seu pai morreu quando ele tinha três anos de idade, o obrigando a trabalhar desde muito novo para ajudar no sustento da família. Aos quinze anos, resolveu dedicar suas energias à busca do aprendizado.

Em vários estágios de sua vida empregou suas habilidades como pastor, vaqueiro, funcionário e guarda-livros. Aos dezenove anos se casou com uma jovem chamada Chi-Kuan. Apesar de se divorciar alguns anos depois, Confúcio gerou um filho, K’ung Li, que nasceu um ano após seu casamento, e uma filha.

Confúcio viveu numa época em que a China se encontrava dividida em estados feudais que lutavam pela supremacia do poder. Estas guerras eram seguidas de execuções em massa. Soldados eram pagos para trazer as cabeças de seus inimigos. Populações inteiras eram dizimadas através da decapitação de mulheres, crianças e velhos. Estes números chegavam a 60.000, 80.000, 82.000, e até 400.000.

A longa e complexa história política do povo evolveram na desunião e diversidade, que estavam refletidos nas características sociais e culturais da Dinastia Chou. A renascença social e moral advogada por Confúcio não tinha aprovação universal, principalmente nos círculos de poder, e seu ardente desejo era um posto governamental. Foi então que na idade de trinta anos ele deixou Lu e viajou para o Estado de Ch’i em companhia do Duque Chao, que fugia por ser o perdedor de uma dura luta política.

Seus Anos de Serviço Público

Aos 51 anos de idade Confúcio foi indicado como funcionário chefe da cidade de Chung Tu e, pelo seu desempenho, chegou a ser promovido ao posto de Oficial dos Serviços Públicos; depois, ao de Grande Oficial da Justiça em sua província. Aos 55 anos partiu numa jornada de treze anos visitando os estados vizinhos e falando aos senhores feudais sobre suas ideias. Foi recebido como um erudito, mas nenhum dos governantes pensou em colocar essas ideias em prática.

Confúcio acreditava que a implementação de seus pontos de vistas pelo governo estabeleceria a utopia do “estado como um bem público”, e prepararia o caminho para paz entre os homens. Regressou a sua terra natal quando tinha 68 anos, onde continuou se dedicando ao ensino de um grupo de discípulos. A escola privada, fundada por Confúcio, cresceu a ponto de ter 3.000 alunos. Destes, setenta e dois eram chamados de seus discípulos mais eruditos. Ele tentou transformá-los em Jens, seres humanos perfeitos que praticassem o exercício do amor e da bondade.

Segundo seus preceitos, a sociedade humana deve ser regida por um movimento educativo, o qual parte de cima, e equivale ao amor paterno, e por outro de reverência, que parte de baixo, como a obediência de um filho. O Confucionismo considera o homem bom e possuidor do livre arbítrio, sendo a virtude sua recompensa. O único sacrilégio é desobedecer a regra da piedade. Segundo a história, Confúcio morreu em 479 a.C., velho, desapontado, mal sucedido e murmurando:
“A grande montanha terá que desmoronar! A forte viga terá que quebrar! O homem sábio murcha como a planta! Não existe ninguém no império que me queira como mestre! Meu tempo de morrer chegou.” (Anacletos, 56)

Seus discípulos o lamentaram por três anos, e um deles permaneceu junto à sua sepultura por seis anos em Ch’u Fü. Hoje, o local tornou-se a Floresta K’ung. Em sua visão de reforma, Confúcio advogava justiça para todos como o fundamento da vida em um mundo ideal, onde os princípios humanos, cortesia, piedade filial, e virtudes da benevolência, retidão, lealdade e a integridade de caráter deviam prevalecer. Porém, deve-se atentar às perspectivas do povo chinês na época de Confúcio, e observar as influências que ele trouxe, as quais não se limitam a uma esfera ética.

Seus ensinos advogam que o homem é capaz de ser perfeito por ele próprio, pelo seu esforço de seguir o caminho dos seus antepassados. Confúcio aludia que a natureza humana é boa. Este ensino foi desenvolvido posteriormente por seus discípulos, e tornou-se uma crença cardeal do Confucionismo.

Confúcio, apesar de estar voltado para este mundo, acreditava no céu e na sua influência sobre a terra e sobre os homens.
Confúcio influenciou a China em dois grandes preceitos religiosos: o da veneração e adoração aos ancestrais, e do conceito de piedade filial. O Confucionismo permaneceu como religião oficial da China desde sua unificação, no século II, até sua proclamação como República pelo Kuomintang em 1911.

Durante a Dinastia de Han do Imperador P’ing (202-221 a.C.), seus funcionários foram recrutados entre os confucionistas. As primeiras críticas ao Confucionismo surgiram com a República.

Entre 1966 e 1976, durante a Grande Revolução Cultural Proletária, foi novamente atacado por contrariar os interesses comunistas. Atualmente, apesar do comunismo banir todo tipo de religião, 25% da população chinesa afirma viver segundo a ética confucionista. Fora da China, o Confucionismo possui cerca de 6.3 milhões de adeptos, principalmente no Japão, na Coréia do Sul e em Cingapura.

Princípios do Confucionismo:
podem ser resumidas em seis palavras-chaves:

  1. Jen – humanitarismo, cortesia, bondade, benevolência. É a norma da reciprocidade, ou seja, “não faça aos outros o que você não gostaria que lhe fizessem.” Esta é a virtude mais elevada do Confucionismo. Segundo ensinam, se o homem colocá-la em prática, ele poderá viver em paz e em harmonia com as outras pessoas (Anacletos 15:24).
    Porém, desde o princípio da humanidade, o gênero humano nunca foi por si próprio, ou pelo seu esforço, capaz de estabelecer esta paz ou harmonia. O exemplo vemos na história antiga e contemporânea: Egito, Babilônia, Grécia, Roma, I & II Guerras Mundiais, Bósnia, Ruanda, Iraque, e a lista não teria fim.
  2. Chun-tzu – homem superior, virilidade. Segundo Confúcio, o homem para ser perfeito deve ter humildade, magnanimidade, sinceridade, diligência e amabilidade. Somente assim, ele poderá transformar a sociedade em um estado de paz.
  3. Cheng-ming – Retificação dos nomes. Este conceito ensina que para uma sociedade estar em ordem, cada cidadão deveria ter um título designativo ou um papel, e afirmar-se neste papel no esquema da vida. O rei, atuando como rei, o pai como pai, o filho como filho, o servo como servo. (Anacletos, 12:11; 13:3)
  4. Te – poder, autoridade. Confúcio ensinava que a virtude do poder, e não a força física, era necessária para dirigir qualquer sociedade. Todo governante, segundo ele, deveria ter esta autoridade para inspirar seus súditos à obediência. Este conceito perdeu-se durante o tempo de Confúcio, dado à predominância das guerras e sobrepujança das dinastias entre si.
  5. Li – padrão de conduta exemplar, propriedade, reverência. Este conceito é tratado no Livro das Cerimônias (Li Ching), um dos Cinco Clássicos. Segundo Confúcio, cada governante deveria ser benevolente, proporcionar um bom padrão de vida para o povo e promover a educação moral e os ritos. Sem esta conduta, o homem não saberia oferecer a adoração correta aos espíritos do universo, não saberia estabelecer a diferença entre o rei e o súdito, não saberia a relação moral entre os sexos, e não saberia distinguir os diferentes graus de relacionamento na família (Li Ching, 27). Como exemplo perfeito de benevolência, ele exaltava o legendário Imperador Yao e seu sucessor, o Imperador Shun, os quais foram renomeados e constituiram, como diziam, “uma idade de ouro da antiguidade”.
  6. Wen – artes nobres, que inclui: música, poesia e a arte em geral. Confúcio tinha uma grande estima pela arte vinda do período da Dinastia Chou, e considerava a música como a chave da harmonia universal. Ele cria que toda expressão artística era símbolo da virtude e que deveria ser manifesta na sociedade. “Aqueles que rejeitam a arte, rejeitam as virtudes do homem e do céu” (Anacletos, 17:11, 3:3). Para Confúcio, a música era um reflexo do homem superior e espelhava seu caráter verdadeiro.

Segundo a doutrina de Confúcio, o ser humano é composto por quatro dimensões:

  • O eu
  • A comunidade
  • A natureza
  • O céu (fonte da auto-realização definitiva)

As cinco virtudes essenciais do homem são:

  • O amor ao próximo
  • A justiça
  • O cumprimento das regras adequadas de conduta
  • A autoconsciência da vontade do “Céu”
  • A sabedoria e sinceridade desinteressadas

Confúcio e o Estado Ideal

Confúcio, nome romanizado para Kung futsé, é talvez o sábio mais influente de todos os tempos. Apesar de ter vivido entre os séculos IV e V a.C., o grande pensador chinês sempre exerceu enorme presença junto ao seu povo. Pregador moralista, tratadista e legislador, legou ao povo dos Han um conjunto de normas e elevados valores morais expressos em frases curtas, de fácil entendimento, educando assim, ao longo dos últimos 2.500 anos, milhões de chineses nos princípios da retidão, parcimônia e busca da harmonia.

Um sábio retirado

Confúcio, que nascera no Estado de Lu, na atual província de Xantung, no litoral do Mar Amarelo, provavelmente no ano 551 a.C., era de descendência nobre, dos duques de Song e da casa real dos Yin.

Nascera, todavia, com poucos recursos, quase na pobreza, o que não foi impedimento para que ele se dedicasse desde a adolescência ao estudo. Intrigas na casa ducal do Estado de Lu fizeram com que ele, abandonando a terra natal, se tornasse num sábio itinerante.
Vagou por alguns anos, acompanhado por um punhado de discípulos, de corte em corte atrás de um governante que se dedicasse à construção de um Estado Ideal. Voltando ao velho lar depois de infrutífera mas proveitosa peregrinação, local onde faleceu em 479 a.C., resignou-se a tornar-se um mestre da sabedoria.

Sua fama espalhou-se e, em pouco tempo, o Templo de Confúcio , na cidade de Qufu, tornou-se lugar de veneração, acorrendo para lá, pelos séculos a fio, gente de todos os cantos da China. Como Sócrates depois dele, o grande mestre não escreveu nada, deixando, entretanto, suas lições, máximas e sentenças, serem registradas por seus discípulos, especialmente por Mêncio, que as sintetizou em vários livros de ensinamentos. Entre eles, no Os Analectos, encontram-se, aqui e ali, suas observações sobre o tão almejado Estado Ideal, sonho de Platão e de tantos outros filósofos ocidentais.

O Príncipe, Estrela Polar

O Grande Mestre era um nostálgico do passado da China, um confesso admirador das primeiras dinastias desaparecidas, como a do duque de Zhou (cuja dinastia governou entre 1027 e 771 a.C.), a qual ele entendia como modelo de perfeição teórica a ser seguida. “Eu transmito”, disse ele, “não invento nada. Confio no passado e o amo.”

A acentuada desordem com que ele foi obrigado a conviver naquela época – chamada pelos historiadores de Período da Primavera e Outono (770-476 a.C.) -, estando a China subdividida em estados antagônicos, devia-se, no entendimento dele, não às instituição feudais mas sim ao desvio das estimadas virtudes que foram, desde os tempos imemoriais, o sustentáculo da antiga realeza. Recuperá-las afim de restaurar a antiga unidade da China era a principal tarefa do sábio, a sua maior missão. Dai o sentido da frase em ele que afirmava: “Estuda o passado se quiseres prognosticar o futuro”.

Confúcio entendia o mundo político similar ao céu que nos cobre, no qual o Kiun tseu, o Príncipe, o Senhor, o homem superior, era a Estrela Polar, corpo fixo que recebe as homenagens dos demais, exercendo o tianming, Mandato Divino como Filho dos Céu (conceitos de poder desenvolvidos em épocas anteriores, pelos Zhou).

Confúcio: O cavalheiro ideal

Esta estrela maior, apoiada em arraigados e definitivos valores morais, bem acima dos demais, pela fortaleza das suas qualidades, fazia com que todo o restante celestial lhe prestasse vassalagem. Este príncipe, porém, não era alguém que recebesse a posição por imposição da hereditariedade dinástica. O trono não lhe chegava pela herança paterna, mas era alcançado por suas magníficas virtudes. Para recuperar a antiga harmonia era preciso faz surgir uma nova espécie de dirigente, o junzi, o cavalheiro. Este era o tipo ideal do Grande Mestre, alguém educado nas excelências maiores, um produto da ética e do livro e não da espada e do sangue. Contribuiu assim Confúcio para que depois, ao largo de dois mil anos de história chinesa, a elite dirigente do país -os mandarins – fosse escolhida por meio de concursos públicos abertos a todos que se sentissem habilitados, fazendo com que antiga nobreza dirigente fosse substituída por uma casta de letrados, selecionados por meio de exames regulares (*)(*) Acredita-se que Confúcio tenha sido o porta-voz dos shi, um grupo de intelectuais e seus discípulos que reivindicava um espaço especial na ordem feudal vigente, pleiteando uma posição relevante devido a sua cultura superior e dedicação ao estudo. Algo equivalente ao papel da intelligentsia na Rússia czarista do século 19, mas de maior ambição do que os scholars na sociedade anglo-saxã de hoje.

O segredo das relações sociais

Enquanto o príncipe mantinha-se como se fora a Estrela Polar – um seguro ponto referencial no firmamento – os outros, os comuns, obrigavam-se a manter-se respeitosos as cinco relações sociais: a que o soberano mantém com o súdito; a estabelecida entre pai e o filho; a existente entre o irmão maior e o irmão menor; a entre o marido e a mulher; e, por fim, a que um amigo devota ao amigo. Violá-las ofende o Decreto do Céu, provocando assim a licença e a desordem. Por tanto, a primeira e principal tarefa do sábio, deste homem
superior, é tomar conhecimento da vontade celeste. É saber auscultá-la, entender suas diretrizes e determinações.
Havendo harmonia nas alturas era de se esperar vê-la reproduzida na sociedade. O sábio é, pois, um demiurgo, o que faz a ligação das coisas do céu, divinas, com o que se passa ao redor dele, procurando ilustrar o príncipe e os dirigentes nos ensinamentos superiores.
Ensiná-los e aos seus discípulos qual é o verdadeiro Tao , o Caminho, para que eles não despendam seu tempo em veredas erráticas, desviantes daquilo que o Senhor das Alturas, previamente, traçou para eles. Tal é a sua missão. A desordem, os tumultos e desacertos resultavam desse desconhecimento, dos homens não saberem em que porto ancorar, em que lugar da sociedade é melhor situar-se para poder obrar em função do todo, da família e da sociedade.

Conhecimento e harmonia

Se o sábio fazia as vezes de intermediário entre o Céu e a Terra, instruindo o príncipe na sua tarefa sagrada, cabia a este dar aos súditos o sentimento dos seus respectivos deveres para despertar-lhes o espírito e a sabedoria. O príncipe tinha que ser príncipe, o ministro, ministro, e assim por diante, bem definidas as funções hierárquicas, marcados os ritos, qualquer desvio disso era perigoso, nocivo, visto que confundia os súditos, introduzindo à desconfiança e à desordem no reino.

Desta maneira, se um governante ou um seu funcionário locupleta-se com os recursos públicos, botando a mão no tesouro do estado para seu próprio beneficio, deve esperar-se que o mesmo ocorra entre a gente comum, entre os governados. E, ao contrário, se ele mostra-se íntegro, ajuizado e responsável com os gastos públicos, todos o seguirão em parcimônia e correção. Para alcançar isso era preciso, insistiu Confúcio, conhecer o funcionamento da natureza das coisas com o fim de obrar (yi) em qualquer situação e compreender a significação íntimas dos ritos (li). Diríamos hoje conhecer a psicologia e o caráter dos homens. Hierarquia e o Respeito são, pois, os pilares do bom governo, aquilo que dá sustentação a Harmonia. Os súditos, por sua vez, além de manterem-se obedientes às cinco relações sociais, devem ser ensinados no tchon , a retidão, para que possam praticar o chu, o altruísmo.

Governo e moral

A obsessão burocrática de Confúcio – talvez o primeiro ideólogo da burocracia então em formação – de quer ver tudo como um ritual, revela-se quando ele faz reiteradas recomendações ao príncipe em fazer bem a tcheng min (a denominação correta das coisas), a precisa distribuição dos deveres e das funções dos servidores, pois ele, o senhor, não é apenas alguém que reina.

O kiun tseu, o príncipe, organizador das coisas, é igualmente um valor moral: a nobreza da alma dele é o que melhor o qualifica para as dignas e elevadas funções que exerce. Assegurada a absoluta correção pessoal dele, pode até dispensar-se de promulgar leis, pois o seu desejo ou inclinação prontamente são obedecidos pelos súditos.

Não precisa, para tanto, intimidar ou atemorizar ninguém. Ao adentrar em qualquer recinto todos sentem a inequívoca força moral que se desprende dele, prostrando-se frente ao seu caráter superior.
O bom governo é acima de tudo uma força moral que constrange o potencial negativo e anti-social do delinqüente, do malvado e do fraudador, cerceando-os, obrigando-os a seguirem as regras do bom convívio desejado pela coletividade.

Entende-se assim o dito de Confúcio de que “a virtude do príncipe é como o vento agindo sobre a erva da plebe. A erva sempre se curva quando o vento sopra sobre ela.” O estímulo sistemática dele, em linguagem sempre poética, para a conciliação entre o governo e seus dirigidos, entre soberano e súdito, entre o homem e a natureza e dos homens entre si, é que explica denominação poética da maioria das dependências existentes na Cidade Proibida de Pequim, antiga morada dos imperadores chineses, construída no tempo da Dinastia Ming. Sucedem-se naqueles pavilhões, construções que por 600 anos serviram aos detentores do Mandato Divino, uma alameda chamada de a Pureza Celestial, seguida pela da União e Paz, outra denominada de a Tranqüilidade Terrestre e ainda a da Elegância Preservada, havendo um prédio dedicado às Melodias Alegres.

O sábio e o santo

Confúcio usava a expressão Kiun tseu, para indicar, indistintamente , o príncipe, o senhor, assim como o sábio, colocando-os aparentemente no mesmo patamar. Ambos seriam homens superiores. Todavia exerciam funções distintas (o príncipe com a tarefa de bem governar e o sábio com a de educar e purificar), inteiramente diversas do siao jen , o plebeu. Se bem que ele considerasse o melhor governo possível o do homem santo, ele afirmou que em épocas degeneradas, como a que ele vivia, tal era impossível de vir a se constituir.

Por isso, o sábio fazia as vezes do homem santo, visto que , por outros caminhos e dedicada perseverança, era capaz de abrigar um conhecimento próximo da santidade. Enquanto o homem santo imediatamente captava o simbolismo do Bem e da Verdade, o sábio demandava muito mais tempo em decifrá-lo. Com o enlevamento do coração pelo estudo das Odas (Che), preocupando-se em conduzir-se sempre pelas boas obras, o sábio habilitava-se a alcançar a purificação de si mesmo, dos demais e do mundo inteiro.

Descrevendo a cronologia da sua marcha pessoal em direção á sabedoria. Confúcio disse: “Aos 15 anos meu coração concentrou-se com rigor nos estudos, aos 30 anos pude manter-me em pé, aos 40 abandonaram-me as dúvidas, aos 50 anos conheci o Decreto dos Céu. Aos 60 anos, meus ouvidos abriram-se docemente para a Verdade, aos 70 anos pude seguir os desejos do meu coração sem transgredir nunca com a regra. Aplicai o vosso coração ao Tao (a doutrina).. Que maravilhoso seria aprender pela manhã o que é o Tao e morrer pela tarde

O significado do Tao

O vocábulo Tao tem um sentido muito próprio que é Caminho, via, mas ele significa também dizer donde deriva o sentido de doutrina O Tao, evoca antes de tudo a imagem de um caminho que se há a seguir e a idéia de direção de conduta, de regra moral “, mas também ” a arte de pôr em comunicação o Céu e a Terra, as forças sagradas e os homens Para o pensamento filosófico e religioso comum, Tao é o princípio de ordem em todos os domínios correspondentes ao real, fala-se do Tao Celeste e do Tao da Terra como também do Tao do Homem. Entre o Tao Celeste e o Tao da Terra existe uma oposição mais ou menos como o yang e o yin. O yang sugere a idéia de exposição ao sol e de calor, por seu lado o yin evoca a idéia de frio e encoberto, é aplicado ao que é interior.

O Tao do Homem exerce a função de intermediário entre o Céu e a Terra. Segundo um fragmento cosmogónico, o Tao é designado como sendo um ser indiferenciado e perfeito, nascido antes do Céu e da Terra. O ser indiferenciado e perfeito é interpretado por um hermeneuta do século II a.C. como a misteriosa unidade do Céu e da Terra, que constitui de uma forma caótica ( huen-tuen ), a condição do bloco de pedra não trabalhado Sendo assim, o Tao poderá ser considerado como a totalidade primordial, viva e criadora, mas sem nome e sem forma. O que não tem nome é origem do Céu e da Terra, e o que tem nome é Mãe dos dez mil seres, isto está escrito noutro fragmento cosmogónico. O Tao expressa noções que prolongam a imagem cosmogónica. É importante referir alguns como: O caos (huen-tuen), o vazio (hsu), o nada (wu), o grande (ta), e o um (i).

Tao – O Que É?

Para entender por que o taoísmo e o confucionismo vieram a exercer tão profunda e duradoura influência sobre o povo chinês, bem como sobre o do Japão, da Coréia e de outras nações circunvizinhas, é necessário entender algo do conceito fundamental chinês do Tao. A palavra em si significa “caminho, estrada, ou vereda”. Por extensão, pode também significar “método, princípio, ou doutrina”. Para os chineses, a harmonia e o funcionamento ordeiro que perceberam no universo eram manifestações do Tao, uma espécie de vontade ou legislação divina que existe no universo e o regula. Em outras palavras, em vez de crerem num Deus Criador, que controla o universo, eles criam numa providência, uma vontade do céu, ou simplesmente o próprio como a causa de tudo.

Aplicando o conceito do Tao a assuntos humanos, os chineses criam pessoa deve que existe um modo natural e correto , para realizar todas as coisas, e que tudo e todos têm seu devido lugar e sua devida função. Por exemplo, eles criam que, se o governante cumprisse seus deveres tratando o povo com justiça e cuidando dos rituais sacrificiais pertinentes ao céu, haveria paz e prosperidade para a nação. Similarmente, se as pessoas se dispusessem a buscar o caminho, ou Tao, e o seguissem, tudo seria harmonioso, pacífico e eficiente. Mas, se elas o contrariassem, ou lhe resistissem, o resultado seria o caos e o desastre.

Este conceito de seguir o Tao e não interferir em seu fluxo é um componente central do pensamento filosófico e religioso chinês. Pode-se dizer que o taoísmo e o confucionismo são duas expressões diferentes do mesmo conceito. O taoísmo faz uma abordagem mística, e, em sua forma original, defende a inação, a quietude e a passividade, evitando a sociedade e retornando à natureza. Seu conceito básico é que tudo sairá bem se as pessoas se acomodarem, nada fizerem, e permitirem que a natureza siga seu curso. O confucionismo, por outro lado, faz uma abordagem pragmática. Ensina que a ordem social será mantida se toda pessoa desempenhar o papel que lhe cabe e cumprir com o seu dever.

Lao Tzu

Lao Zi , Laozi ou Lao Tzu, foi um famoso filósofo chinês que viveu aproximadamente no Século VII a.C., durante as Cem Escolas de Pensamento e o Período dos Reinos Combatentes. A ele é atribuída a autoria de uma das obras fundamentais do Taoísmo: o Tao Te Ching. Alguns consideram Lao Zi um personagem mítico, no limite das lendas. Seu nome quer dizer “O velho”, ou “velho Mestre”. Uma lenda conta que ele nasceu com a aparência de um velho, por isto teria recebido este nome. Muitos consideram que esta lenda pode ser interpretada como uma metáfora sobre a antiguidade do taoísmo, fundamentado em conceitos filosóficos tradicionais anteriores à própria redação do Tao Te Ching.

Biografia:

As poucas indicações que possuímos dele provêm de um historiador chinês chamado Tsu Ma Cheng, que publicou suas memórias entre os anos 99-90 a.C. De acordo com estas, Lao Tzu haveria nascido no ano 570 a. C. no reino de Tcheno qual pertencia a nobre família dos Lao Che.

Os filósofos chineses designam ao Taoísmo e ao Confucionismo, uma origem anterior ao que em geral se admite no Ocidente. As obras de Lao Tzu encontram-se parcialmente inspirado no livro das Mutações chamado I Ching sendo este considerado como a essência do pensamento da cultura e da sociologia da China antiga.

Historicamente se sabe muito pouco sobre a vida desse Mestre e, na opinião de alguns estudiosos, absolutamente nada, mas como fontes gerais de informações se menciona o Shi Chih de Tze machien, o Tao Teh Ching recopilado por Yin Si, o Lien Hgien Chuen de Koo Hung (século IV), o livro da Ascensão ao Oeste.

Mitologicamente conta-se o nascimento de LAO TZU de uma forma totalmente anormal, para nosso entender racional e especulador. Teve um nascimento extraordinário ao existir no ventre de sua mãe durante 72 anos. Havendo ela alcançado a idade de 161 anos, sentou-se para repousar em uma cerejeira.
Estando o sol ao zênite, emanou um ovo de cinco cores do tamanho de uma pérola (símbolo chinês da longa vida), que penetrou a boca da anciã a qual deu a luz a um menino-ancião e barbado, o qual disse à sua mãe : “desta árvore tomarei meu nome.” Assim, o mito quer dizer que seu apelido Li-Er não apenas seja traduzido como orelhas compridas (ou que escuta muito) como também, orelhas de cereja (Li= Cereja).

Quando o povo soube de tão estranho nascimento, acreditaram que o menino ancião era um demônio (segundo alguns um Dragão, símbolo de sabedoria) e queriam matá-lo, mas um certo homem chamado Lin Poi o salvou. Algumas versões taoístas mencionam este enigmático personagem como uma grande alquimista ou uma mago, e outros como próprio Pai de Lao Tzu.

Entretanto, este mito é a única versão que se refere ao LAO TZU e sua vida. Podemos dizer a grasso modo que todo nascimento narrado dessa forma fantástica, como nascimento do Menino Jesus e o nascimento de Sidarta Gautama, o Buda, é simplesmente uma forma de encobrir o verdadeiro nascimento de um ser que de humano, só tem o corpo. A única forma em que o povo chega a compreender estes nascimentos é através de mitos e lendas, cobertas por um ar de mistério, a fim de que a imagem de tão elevado ser não seja algo de todo o tipo de formas negativas, desde os planos sutis até os planos mais materiais.

Semelhante ao menino Jesus, Lao Tzu, também foi perseguido e trataram de eliminá-lo fisicamente, a fim de não permitir, que se manifestassem entre os homens um novo ser espiritual. Havendo nascido o menino-ancião, diz-se que em nove dias trocou de forma, nove vezes, até aparecer como um homenzinho velho, vestido com as vestimentas dos filósofos.
Trataremos de dar uma explicação sobre todo este mito a fim de que possa ser mais bem entendido seu símbolo. Quando na China fala-se que o menino é velho, estão dando caráter de que ele não tem mais nada que aprender neste mundo; igualmente na Índia, o fato de ter os olhos pequenos e as orelhas grandes como o elefante simboliza que não se necessita olhar nada, porém que se escuta muito (símbolo este do homem sábio).

Lao Tzu também tinha as orelhas grandes, seu nome poderia ser traduzido como velho mestre ou velho filósofo; grande solitário que vagava pelos bosques desertos e evitava todos os contatos com as outras pessoas. Conta-se que em umas de suas caminhadas encontrou-se como famosíssimo mago Tei Yih Yuen Chuen o qual lhe mostrou as artes mágicas e alquímicas.

O ovo do tamanho de uma pérola, proveniente do Sol, (quando este está no seu apogeu), nos mostra uma clara alusão de qualidade de um ser tipicamente Solar, assim como aparece em toda a grande civilização um governante, descendente direto de um casal mitológico onde o Sol ocupa proeminentemente a posição central.

A fecundação de sua mãe é idêntica à fecundação de Maria, a mãe de Jesus. Os cristãos falam do Espírito Santo (energia pura emanando mais alto, ou seja, a fonte de vida e de luz que pode ser o Sol Espiritual, sede da mais elevada consciência planetária). Os Taoístas falam que a mãe o teve 72 anos dentro de seu ventre.

Que ele nasceu velho; ora o menino Jesus com menos de 12 anos já discutia com os sábios daquele tempo, também era velho. Na verdade, o nascimento de uma pessoa não se dá somente no corpo físico e sim também acontece anteriormente, no plano mental e anteriormente nos planos mais sutis da natureza, pois se entende que o ser humano e mais ainda estes seres divinos, que vêm a este mundo para cumprir uma função determinada visando o advento do mundo espiritual nesta terra, tomam suas formas e suas qualidades dos arquivos espirituais da natureza, formando primeiro seus corpos sutis, para logo mais tarde concretizar o corpo físico que nada mais é que uma sombra da parte espiritual.

As cinco cores da pérola estão representando as cinco qualidades dos mestres que estão ligadas diretamente às cores de cada um de seus corpos. O número cinco tem a ver com o quinto princípio que no homem comum não está acordado, a Mente Pura, refletida por Lao Tzu, no Tao Te Ching sua obra magna. Também, (de acordo com a mística Budista tibetana) quando um mestre atinge o Maximo de desenvolvimento espiritual para tomar uma forma humana ou para se desvencilhar da forma humana seu corpo ilusório transforma-se num corpo de “arco íris” ou um corpo de cinco cores, (as cores dos cinco elementos). Também as cinco cores representam as cinco sabedorias completamente realizadas. Com relação à sua vida encontramos referências de uma viagem à Índia e ao Tibete, e ainda como arquivista no ano 517 a.C., no estado de CHOU sob o príncipe Kung Wang, quando teve a célebre entrevista com Confúcio.

Idéias de Lao-Tzu

Lao-Tzu convida os chefes políticos e militares a comportarem-se como Taoístas, é claro que o que ele quis dizer foi, para eles seguirem o modelo do Tao como exemplo:
Lao-Tzu crítica e rejeita o sistema confuciano, isto é, a  importância dos ritos, o respeito dos valores sociais e o racionalismo. “Renunciemos à Caridade, rejeitemos a Justiça, o povo reencontrará as verdadeiras virtudes familiares de forma natural e espontânea” Para os confucionistas, a Caridade e a Justiça são as maiores virtudes,mas Lao-Tzu pensa de maneira diferente, vê nessas virtudes atitudes artificiais que são inúteis e perigosas.

Segundo ele, quando se abandona o Tao, recorre-se à Caridade, quando se abandona a Justiça recorre-se aos Ritos. LaoTzu diz que os valores sociais são ilusórios e nocivos, e que a ciência discursiva leva à destruição do ser e estimula a confusão, atribuindo assim, um valor às noções relativas.
“É por esse motivo que o Santo se refugia na inação ( wu-wei ) e distribui generosamente um ensino sem palavra.”

Apesar do Taoísmo originalmente ignorar um Deus Criador, os princípios do Tao, eventualmente tem o conceito de Deus. Lao-Tzu escreveu: Antes do Céu e da Terra existirem, havia algo de nebuloso… Eu não sei o seu nome, eu chamo-o de Tao.

As Fontes Clássicas do Taoísmo

As fontes clássicas do taoísmo são o Tao- Te Ching de Lao- Tzú. A lenda situa o nascimento de Lao-Tzu entre 571 e 604 a.C. No entanto, em relação ao nascimento do Tao-Te Ching Clássico do caminho da virtude, “as opiniões já são mais divergentes, há autores que preferem a versão tradicional, mas, existem outros que centram o seu nascimento numa data de composição bastante recente, 240 a.C. O Tao-Te Ching proclama a supremacia do nada sobre o ser, do vazio sobre o cheio, isto não deve ser entendido como uma negação de vida, uma vez que os objetivos mais recentes do Taoísmo é a obtenção da imortalidade. O ser humano é a imagem do universo, animado por um sopro primordial dividido da seguinte forma: Em yin e yang, masculino e feminino, e Terra e Céu. Estas são as manifestações que estão por trás de um sopro que se encontra escondido. Lao-Tzu cultivava o Tao e o Te, segundo uma doutrina, o homem deve procurar viver escondido no anonimato. O viver distante da via pública e desprezar honrarias seriam precisamente o contrário do homem proposto por Confúcio. No que diz respeito à existência escondida e anônima de Lao- Tzu explica a falta de qualquer informação em relação à sua respectiva biografia.
Conforme diz a tradição, ele foi durante algum tempo arquivista da corte dos Tcheu, encontrava-se em grande desânimo em relação à casa real, por esse motivo fez renúncia ao cargo e partiu para Oeste. Quando estava prestes a atravessar o passo Hien -Ku, redigiu, a pedido do Guarda, uma obra de duas partes, na qual expunha as suas idéias sobre o Tao e o Te e que continha mais de 5500 palavras, depois partiu e ninguém sabe o que foi feito dele.

O livro que continha mais de 5 mil palavras era o famoso Tao Te Ching , o texto mais profundo e o mais enigmático de toda a literatura chinesa, mas não sabemos quem foi o seu autor nem a data que foi escrito, as opiniões são contraditórias.
O Tao Te Ching exprime um pensamento coerente e também original, contém uma quantidade de conceitos dirigidos aos soberanos e aos chefes políticos e militares.

Lao- Tzu afirma que os negócios do Estado só podem ser administrados com sucesso se o príncipe seguir o caminho do Tao, ou seja, se praticar o método wu- wei, o ” não fazer ” ou o ” não obrar “. Porque Tao permanece sempre inativo e não existe nada que ele faça É por esse motivo que o Taoísta jamais intervém no curso das coisas.

Os Taoístas e a Alquimia

Certos ritos e mitologias dos metalúrgicos, fundidores e ferreiros foram retomados e reinterpretados pelos alquimistas. As concepções arcaicas relativas aquecimento dos minerais no ventre da Terra, à transformação natural dos metais em ouro, assim como ao complexo ritual Ferreiros-confrarias iniciatórias de ofício, voltam a ser encontradas na doutrina dos alquimistas. A alquimia chinesa constitui-se como disciplina autônoma, utilizando os princípios cosmológicos tradicionais, os mitos relacionados com o elixir da imortalidade e os Santos Imortais, e as técnicas que visam ao mesmo tempo, o prolongamento da vida, a beatitude e a espontaneidade espiritual.

Os três elementos (princípios, mitos e técnicas), pertenciam ao legado cultural da proto-história, e seria um erro acreditar que a data dos primeiros documentos que os atestam nos informe também acerca da sua idade.

De Filosofia a Religião

Na sua tentativa de estar em comunhão com a natureza, os taoístas tornaram-se obsedados com a perenidade e a resiliência da natureza. Especulavam que, se a pessoa vivesse em harmonia com o Tao, ou o caminho da natureza, ela talvez pudesse de algum modo penetrar nos segredos da natureza e tornar-se imune ao dano físico, a doenças e até mesmo à morte. Embora Lao-tzu não insistisse nisso, certos trechos em Tao Te Ching parecem sugerir tal idéia. Por exemplo, o capítulo 16 diz: “Estar em comunhão com o Tao é eterno. E, embora o corpo morra, o Tao jamais perecerá”. Chuang-tzu também contribuiu para tais especulações. Por exemplo, num diálogo em Chuang Tzu, um personagem mitológico perguntou a outro: “És de idade avançada, no entanto, tens a pele de criança. Como pode?”.
Este último respondeu: “Eu aprendi o Tao”. Sobre outro filósofo taoista, Chuang-tzu escreveu: “Ora, Líehtse podia cavalgar no vento. Deslizava feliz na fresca brisa, continuaria por quinze dias antes de retornar. Entre os mortais que conseguem a felicidade, tal homem é uma raridade.” Histórias assim acenderam a imaginação dos taoístas, e eles passaram a fazer experiências com meditação, dietas e exercícios respiratórios que supostamente podiam retardar a degeneração e a morte física. Logo começaram a circular lendas a respeito de seres imortais que podiam voar sobre as nuvens e aparecer e desaparecer a seu bel-prazer, vivendo em montanhas sagradas ou em ilhas remotas por incontáveis anos, sustentados pelo orvalho ou por frutas mágicas. A história chinesa conta que em 219 a.C., o imperador Ch’in, Shih Huang-Ti enviou uma frota de navios com 3.000 meninos e meninas para encontrar a lendária ílha de P’eng-lai, a morada dos imortais, para trazer de volta a erva da imortalidade. Desnecessário é dizer, eles não retornaram com o elixir, mas, diz a tradição, povoaram as ilhas que vieram a ser conhecidas como Japão.

Durante a dinastia Hã (206 a.C.-220 d.C.), as práticas mágicas do taoísmo atingiram um novo apogeu. Consta que o imperador Wu Tí, embora promovesse o confucionismo como ensino oficial do Estado, sentia-se muito atraído ao conceito taoísta da imortalidade física. Entusiasmou-se especialmente com as engendradas ‘pílulas da imortalidade’ da alquimia.

No conceito taoísta, a vida surge quando as forças opostas yin e yang (feminina e masculina) se unem. Assim, fundindo chumbo (escuro, ou yin) com mercúrio (claro, ou yang), os alquimistas estariam imitando os processos da natureza, e o produto, pensavam eles, seria uma pílula da imortalidade. Os taoístas também desenvolveram exercícios tipo ioga, técnicas de controle da respiração, restrições dietéticas e práticas sexuais que alegadamente fortaleciam a energia vital da pessoa e prolongavam a vida. Tinham também selos mágicos, usualmente contendo o símbolo yin yang, que eram afixados em prédios e sobre o vão de portas para repelir maus espíritos e feras. Por volta do segundo século EC, o taoísmo tornara-se organizado. Um certo Chang Ling, ou Chang Tao-ling, fundou uma sociedade taoísta secreta na China ocidental e praticava curas mágicas e alquimia. Visto que de cada membro se cobrava uma taxa de cinco celamins de arroz, seu movimento ficou conhecido como Taoísmo dos Cinco-Celamins- de-Arroz (wu-tou- mi tao). Afirmando ter recebido uma. revelação pessoal de Lao-tzu, Chang tornou- se o primeiro “mestre celestial”. Por fim, afirmou-se que ele conseguiu fazer o elixir da vida e que ascendeu vivo ao céu, montado num tigre, a partir do monte Lung-hu (Monte do Tigre-Dragão), na província de Kiangsi. Com a presença de Chang Tao-ling ali teve início uma sucessão, de séculos de duração, de “mestres celestiais” taoístas, cada qual sendo alegadamente uma reencarnação de Chang.

Fundação da Religião Taoísta

A religião Taoísta ” Tao Kiao “, foi fundada, por volta do final do século IIA.D., por Chang Tao-ling. Chang subiu ao Céu e recebeu o título de ” Senhor Celeste ” ( t’ien shih ). Instaurou numa província chamada Sseu-tch’uan uma teocracia na qual se destacavam os poderes temporal e espiritual.
Há uma esperança de regeneração do Tao que caracteriza um movimento Taoísta, é a seita de T’ai-p’ing ” A Grande Paz “. Por volta de 184, o líder de uma seita que se chamava Chang Chuen, anunciou a iminência da renovação e diz que o ” Céu Azul ” devia ser ” Céu Amarelo ” (era precisamente por esse motivo, que os fiéis usavam turbantes amarelos).

Como era de esperar, desencadeou-se uma revolta que quase derrubou a dinastia. Esta foi sufocada pela intervenção das tropas imperiais, no entanto, a febre messiânica prolongou-se durante toda a Idade Média. O último líder dos ” Turbantes Amarelos ” foi executado em 1112. Podemos dizer, que foi precisamente a partir do século II que se desenvolveu uma vasta gama de tradições religiosas na China. O Taoismo baseia-se no sistema politeísta e filosófico de crenças que assimilam os antigos elementos místicos e enigmáticos da religião popular chinesa, como o culto aos ancestrais, os rituais do exorcismo, a alquimia e a magia.

O objetivo primeiro dos taoístas é a aquisição da imortalidade: HSIEN. Criaram diversas técnicas para impedir o processo de envelhecimento e até de fazer que o organismo volte à mesma condição de quando era jovem. Preparavam-se assim com uma quantidade enorme de treinos:

Técnicas Respiratórias

Técnicas Helioterapêuticas

Técnicas de Ginástica

Técnicas Sexuais

Técnicas Farmacêuticas

Técnicas Dietéticas

Dentro desta filosofia, podemos concluir que o Taoísmo como religião nos demonstra magnificamente que “O Destino de mim mesmo de pende de mim e não do Céu”, oferecendo ao homem a oportunidade de arcar com a responsabilidade de sua própria existência…

Sua influência então, sobre as Artes Marciais da China, parte principalmente de sua idealização a respeito da mente e espírito assim como a Lei da Natureza e práticas de longevidade que fortalecem muitíssimo a seus praticantes.

Pensamento dos Filósofos Taoístas

É importante mencionar que tanta os filósofos Taoístas como os eremitas e os iniciados têm como objetivo a busca da longevidade e a imortalidade, procuram restabelecer uma condição paradisíaca, particularmente em busca da perfeição e da espontaneidade original. Os elementos essenciais, comuns a todas as escolas Taoístas, era a exaltação da condição humana primitiva, já existente antes do triunfo da civilização.

Era precisamente, contra esse retorno à natureza que se levantavam todos os problemas pois queriam instaurar uma sociedade justa e policiada, governada pelas normas e inspirada em certos exemplos de reis que contribuíram de forma fabulosa para a nossa sociedade e os heróis-civilizados. No início, os Taoístas pensavam que uma existência que fosse desenvolvida sob o signo do Tao era somente possível no começo. No entanto, havia outros que diziam que este tipo de existência só era possível numa sociedade justa e civilizada. Os taoístas conhecem várias técnicas capazes de prolongar indefinidamente a vida até obter uma imortalidade física A busca de longa vida faz parte da busca do Tao. Porem não aparece em nenhum registro que o próprio Lao Tzu tenha aderido muito a estas idéias.

A técnica taoísta do êxtase é origem e estrutura xamânica. Durante o transe, a alma do xamã liberta-se do tempo e do espaço: voa para o Centro do Mundo, regressando assim à época paradisíaca de antes da queda, quando os homens podiam subir ao Céu e conversavam com os Deuses.

Conceito de Alma para o Taoísmo

O problema da alma para o Taoísmo é um assunto complexo, pois aparece numa linguagem esotérica que dá origem a diversas interpretações. Evidentemente, o Taoísmo aceita a ação de uma alma, pois dentro de sua filosofia, existem os mortais, mas o tema se complica quando queremos determinar as características desta alma.
Dentro das duas grandes linhas do universo dualista, o que determina o Taoísmo, a alma do homem também é Dual. Estaria formada por duas partes, uma partícula de substância Yang e uma de substância Yin. A substância de energia Yang é chamada Shen que após a morte retorna ao Céu e se funde ao Espírito Universal; e a partícula de substância Yin depois da morte fica ao nível da terra e dá origem aos diversos espíritos subalternos do Taoísmo.

Existem autores que deduzem dos textos taoístas a noção de uma alma tripla, afirmando que são as seguintes partes que a compõem:

SHEN, as partes etéreas, opostas à parte material do corpo humano;

CHI, o instinto de vida que se transforma em matéria viva;

CHING , a mente ou espírito animal ou consciência.

Da diferente porção destes três elementos, resultam os diversos seres; assim, os que contêm CHI são corpos minerais, os que contêm CHI e CHING são os corpos vegetais e animais inferiores, e aqueles que possuem CHING, CHI e SHEN são os seres humanos.

A morte é para o Taoísmo a separação do corpo da Alma. Alma e corpo gastam-se em sua vã luta pela existência sendo que do esgotamento de um e de outro, sobrevêm a morte que faz com que SHIEN se separe e retorne ao Tao original. Desta premissa flui logicamente a receita Taoísta para obter a imortalidade; é necessário não lutar, não gastar, não agir. Não esgotar o corpo com esforços inúteis, nem a alma com desejos tolos ou ambições.

Fonte: Sociedade Brasileira de Tai Chi Chuan